A GPC Participações, dos setores de química e aço, está
prestes a concluir um aumento de capital da ordem de R$ 60
milhões, que incluiu o desdobramento de suas ações. O saldo das
duas operações será um substancial aumento de liquidez da
holding, com sua parcela de ações em circulação no mercado
subindo de 17 % para 33%.
Segundo pessoas que acompanharam a
capitalização da companhia - criada em 1997 a partir de uma
divisão de ativos da refinaria Manguinhos -, alguns acionistas
abriram mão do seu direito de subscrição para ceder espaço para
novos investidores. Embora o quadro acionário resultante ainda
não tenha sido fechado, a família Peixoto de Castro, que detinha
61% do capital, terá sua participação reduzida, sem que isso
comprometa a estrutura de controle da GPC.
O diretor de relações com investidores da
companhia, Emílio Salgado Filho, prefere não detalhar a nova
distribuição de capital da companhia. "A capitalização ainda não
foi totalmente concluída", argumenta. O prazo para a primeira
subscrição de das sobras terminou na terça-feira.
O aumento de capital é a peça chave de um
plano de reestruturação financeira das empresas da holding.
Wanderlei Passarella, presidente da GPC Química - em que a GPC
Participações detém uma fatia 90% -, explica que dos R$ 60
milhões captados cerca de R$ 40 milhões irá para a companhia. O
demais R$ 20 milhões serão direcionados para a Apolo Tubos e
Equipamentos, em que a holding possui uma parcela de 47 % do
capital. A missão é a mesma: atacar os altos custos financeiros
das companhias. Segundo o diretor de relações com investidores,
o perfil predador do seu endividamento é o principal motivo pelo
qual a GPC não vem apresentado bons resultados desde a crise
financeira de 2008. O evento coincidiu com vencimento de um
grande volume de compromissos de curto prazo da holding.
"Estávamos ainda em fase de negociação para alongar as dívidas",
diz. Mas mercado se fechou, o nível de atividade industrial caiu
e, desde então, a companhia inaugurou sequência ininterrupta de
prejuízos que perdura até agora.
A holding encerrou o primeiro semestre com a
relação lucro operacional/despesa financeira em -0,4. Na
prática, esse número significa que os gastos com juros superaram
em 40% o resultado operacional gerado, uma situação recorrente
na companhia. No mesmo período, o lucro antes de juros e
impostos acumulado da GPC foi de R$ 11,4 milhões, metade do
auferido no mesmo período do ano passado.
Feita a reestruturação de sua dívida, a
companhia não descarta uma migração para um nível mais alto de
governança. A GPC Participações está no segmento tradicional da
BM&FBovespa. No entanto, só possui ações ordinárias (com direito
a voto) e, com uma fatia 33% de papéis em circulação,
preencheria de antemão dois importantes requisitos para ingresso
no Novo Mercado. Mas o novo selo de governança não está ainda na
pauta de prioridades da empresa. Por ora, as recentes operações
visam dar mais visibilidade para a GPC, atrair investidores e
elevar a ações a um "preço justo“. Aparentemente, a estratégia
teve reflexos na avaliação da companhia. De janeiro para cá, os
papéis da GPC se valorizaram 62%, sendo cotados a R$ 0,47 no
pregão de ontem. "Estamos querendo criar um ambiente de maior
facilidade para as empresas buscarem financiamento. Os nossos
segmentos de atuação são promissores", afirma o executivo.
A Apolo Tubos e Equipamentos compra bobinas
de aço das siderúrgicas e produz equipamentos atender mercados
como o de construção civil, automotivo, máquinas agrícolas,
sucroalcooleiro, química e petroquímica. Já a GPC Química
fabrica e vende, principalmente, metanol e derivados, mas também
atua no segmento de resinas, no qual tem marcas conhecidas como
Synteko, de vernizes para assoalhos.
A GPC Participações fechou o primeiro semestre com uma receita
de vendas de R$ 296,5 milhões e um prejuízo de R$ 2,8 milhões.
No mercado, a empresa está avaliada em R$ 168,7 milhões.
Fonte: Marina Falcão | De São Paulo -
30/09/2011
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